A transformação digital, a adoção da inteligência artificial e a expansão dos ambientes em nuvem estão ampliando os investimentos em cibersegurança na América Latina. Mas os resultados da nova pesquisa da RSM mostram que ainda existe uma distância importante entre investir mais e construir uma estratégia efetivamente resiliente.

A Latin America Cybersecurity Survey 2026 ouviu 265 executivos e profissionais envolvidos com cibersegurança em 18 países. No Brasil, 31 profissionais participaram do estudo, permitindo observar como o cenário local se posiciona diante das tendências regionais.

 

265 respondentes.

18 países.

31 participantes do Brasil.

Mais investimento não significa, necessariamente, mais maturidade

Os investimentos em cibersegurança estão avançando. 71% dos respondentes brasileiros esperam aumentar o orçamento destinado à área nos próximos 12 meses, percentual muito próximo aos 69% registrados na América Latina.

Mas o desafio real está no que acontece depois do investimento.

Estruturas de liderança, capacidade interna e práticas formais de gestão de riscos ainda apresentam lacunas importantes. Os dados sugerem que o próximo estágio da cibersegurança não depende apenas de ampliar recursos, mas de transformá-los em governança, capacidade de resposta e resiliência.

O desafio não é apenas quanto investir, mas como transformar investimento em resiliência.

 

Qual é a perspectiva do Brasil neste cenário?

Os resultados brasileiros acompanham boa parte das tendências observadas na América Latina. Ao mesmo tempo, alguns indicadores revelam desafios importantes relacionados à estrutura e à maturidade da gestão de cibersegurança.

O cenário revela uma questão importante: embora a disposição para investir seja elevada, estruturas fundamentais para direcionar esses recursos ainda estão em desenvolvimento.

Cibersegurança não trata apenas de riscos futuros

A discussão sobre maturidade ganha ainda mais relevância quando observamos a experiência recente das organizações representadas na amostra brasileira.

Prevenir ataques continua sendo fundamental. Mas, diante de um ambiente de ameaças cada vez mais complexo, a estratégia também precisa considerar a capacidade da organização de responder, recuperar operações e reduzir impactos quando um incidente acontece.

 

 

  • 35% dos respondentes brasileiros afirmam que suas organizações enfrentaram pelo menos um ataque ou demanda de ransomware nos últimos 12 meses.
  • 26% do total de respondentes brasileiros relatam mais de uma ocorrência no período.

Da proteção tecnológica à resiliência do negócio – como está a agenda digital?

A Cybersecurity Survey 2026 mostra que a agenda de cibersegurança está se ampliando. 

Na América Latina, três temas aparecem entre as principais iniciativas das organizações:

39%

Gestão da superfície de ataque

38%

Resiliência e recuperação

38%

Segurança em nuvem

Ao mesmo tempo, novas tecnologias adicionam outras demandas ao desafio da cibersegurança:

  • 40% das organizações latino-americanas já operam mais da metade de seus ambientes de TI na nuvem, enquanto 28% ainda não possuem práticas de governança de inteligência artificial.

Esses resultados reforçam uma mudança importante: cibersegurança deixa de ser uma discussão restrita à proteção tecnológica e passa a envolver continuidade dos negócios, governança, gestão de riscos e capacidade de adaptação. 

O próximo passo: transformar investimento em maturidade

À medida que a exposição digital aumenta, ampliar o orçamento é apenas uma parte da resposta. A construção de uma estratégia de cibersegurança mais madura passa pela combinação entre liderança, governança, pessoas, processos e tecnologia.

Os resultados da pesquisa apontam cinco frentes que merecem atenção das organizações:

  • Governança e accountability: estabelecer responsabilidades claras pela estratégia e pelas decisões relacionadas ao risco cibernético.
  • Gestão estruturada de riscos: utilizar frameworks e processos capazes de transformar riscos em prioridades de negócio.
  • Resiliência operacional: preparar a organização não apenas para prevenir incidentes, mas para responder e recuperar suas operações.
  • Segurança em nuvem: garantir que controles e monitoramento acompanhem a expansão dos ambientes digitais.
  • Governança de IA: incorporar avaliação de riscos, responsabilidades e supervisão à medida que a inteligência artificial ganha espaço nas operações.

Mais do que ampliar investimentos, o desafio está em construir as capacidades necessárias para que cada recurso destinado à cibersegurança contribua efetivamente para proteger operações, dados e valor.