O setor de saúde continua atraindo forte atividade no espaço de fusões e aquisições (M&A), demonstrando resiliência notável mesmo em meio à incerteza econômica e regulatória. À medida que o mercado global de saúde evolui em 2025, a atividade de M&A segue como uma alavanca crítica para crescimento e consolidação, impulsionada por tendências macroeconômicas, inovação em tecnologia aplicada à saúde e interesse de investidores em subsetores de nicho.

Os profissionais globais de indústria da RSM analisam as principais tendências, oportunidades e desafios que estão moldando o M&A em saúde neste ano.

Atividade recente de M&A em saúde

O espaço de M&A em saúde permaneceu ativo no primeiro semestre de 2025, apesar dos desafios macroeconômicos globais. Segundo Scott Powers, Partner - Transaction Advisory Services da RSM nos Estados Unidos, “o setor de saúde foi significativamente impactado por eventos macroeconômicos no primeiro semestre de 2025, talvez até mais do que qualquer outro setor”. Fatores como flutuações nas políticas tarifárias internacionais, juros elevados e maior escrutínio regulatório geraram incerteza, mas o setor seguiu avançando.

Regionalmente, a atividade variou em foco. Powers observa: “A atividade de M&A em saúde nos Estados Unidos se manteve surpreendentemente resiliente, com investimentos migrando de práticas tradicionais de prestação de serviços para setores adjacentes, como healthtech, serviços farmacêuticos e saúde comportamental.” Essa adaptabilidade reflete a capacidade de resiliência da indústria da saúde diante de desafios macroeconômicos.

Da mesma forma, a Europa vem registrando consolidação constante em áreas como odontologia e clínicas de injetáveis, como destaca Marcel Vlaar, Partner da RSM na Holanda. “Estamos vendo crescimento significativo no setor de saúde, impulsionado principalmente por movimentos de consolidação de firmas de private equity (PE) e investimentos liderados por PE em nichos de saúde”, afirma.

Desafios enfrentados pelos dealmakers em 2025

Apesar da resiliência, o M&A em saúde não está livre de obstáculos. Mudanças regulatórias estão no topo da lista de desafios para os dealmakers. “Mudanças na regulação e condições econômicas incertas estão impactando o consumo”, diz Vlaar, ilustrando a complexidade do cenário.

As taxas de juros, porém, parecem menos preocupantes em 2025. Freek van der Linden, Diretor da RSM na Holanda, observa: “As taxas de juros e as condições de financiamento não parecem ser um fator significativo neste ano.” Ainda assim, o cenário econômico mais amplo — incluindo escassez de mão de obra e aumento dos custos operacionais — continua pressionando margens, ampliando a necessidade de investimentos estratégicos e eficiência operacional.

Vetores de crescimento dos deals em saúde

Fortes vetores macro continuam impulsionando o crescimento do M&A em saúde. Envelhecimento populacional, aumento do gasto público com saúde e esforços de digitalização seguem como fatores relevantes. Oliver Smyth, M&A Transaction Services Partner da RSM na Noruega, destaca o apelo de nichos como eHealth e programas de bem-estar nos países nórdicos. “Serviços de bem-estar para funcionários focados em tratamento, monitoramento de saúde e programas de exercício como benefício corporativo estão ganhando tração”, compartilha.

A influência do private equity no M&A em saúde continua se expandindo, à medida que as firmas utilizam altos níveis de dry powder para investir em ativos escaláveis e inovadores. Smyth confirma: “O setor é apoiado por fortes vetores macro, incluindo gastos públicos com saúde e o impulso para digitalizar serviços.”

As firmas de PE estão mirando principalmente subsetores voltados para business-to-consumer (B2C). Como Vlaar aponta: “Nichos de saúde focados em B2C, como os setores odontológico e de injetáveis, estão registrando atividade intensificada.” Esse foco em modelos voltados ao consumidor reflete a demanda por serviços acessíveis e de alto valor.

A integração de tecnologia à saúde continua rompendo modelos tradicionais, tornando-se um ponto focal para dealmakers em 2025. Powers explica: “IA e automação estão permitindo maior eficiência, possibilitando que empresas aumentem produtividade sem crescimento significativo de headcount.” Isso transformou soluções habilitadas por tecnologia em diferenciais em mercados altamente competitivos, atraindo atenção de investidores. Powers reforça: “Empresas com capacidade comprovada de utilizar novas tecnologias como IA e automação estão gerando interesse significativo no mercado.” Ao reduzir dependência de trabalho intensivo e melhorar eficiência, essas companhias se posicionam como alvos valiosos de aquisição.

Embora o capital humano continue essencial em saúde, van der Linden observa que “diferenciar propriedade intelectual em empresas orientadas por tecnologia aumenta significativamente sua atratividade”. Essa mudança reforça o potencial de longo prazo do M&A em saúde para beneficiar pacientes e empresas por meio da inovação.

Transações cross-border em 2025

Oportunidades cross-border também estão ganhando força à medida que investidores ampliam seus horizontes. 

Scott Powers explica: “O M&A cross-border em saúde tornou-se mais atraente para investidores dos Estados Unidos, particularmente em setores menos regulados como healthtech.” Esses deals frequentemente oferecem sinergias relevantes, permitindo que empresas globais acessem novas bases de clientes enquanto alavancam tecnologia e expertise de mercados internacionais.

Smyth observa que o interesse cross-border é especialmente forte na Europa, impulsionado por firmas de PE em busca de oportunidades de plataforma e bolt-on. “Determinadas propriedades intelectuais e nichos de saúde operam globalmente, tornando transações cross-border extremamente valiosas”, acrescenta van der Linden. Essa disposição para buscar investimentos internacionais evidencia o potencial mais amplo em regiões que não estejam excessivamente sobrecarregadas por estruturas regulatórias distintas.

A influência do ambiente regulatório nas transações

A regulação segue sendo uma espada de dois gumes no M&A em saúde. De um lado, ambientes regulatórios mais rígidos podem desestimular investimentos. Smyth observa: “A incerteza política e as regulações emergentes estão moldando tendências”, embora impactos diretos, como ações antitruste, ainda não tenham alterado significativamente o comportamento do mercado.

Por outro lado, a regulação está criando oportunidades em nichos impulsionados por compliance. Por exemplo, à medida que países buscam inovar em healthtech enquanto tratam de segurança de dados e privacidade dos pacientes, empresas que conseguem atender a essas exigências regulatórias se destacam como ativos preferenciais.

Perspectivas para o M&A em saúde em 2025

Olhando para frente, espera-se que o setor de M&A em saúde mantenha seu ritmo ao longo do segundo semestre de 2025, impulsionado por fortes tendências macroeconômicas e pelo apetite dos investidores por inovação. As oportunidades cross-border devem crescer, com investidores dos Estados Unidos e da Europa mirando cada vez mais deals de plataforma e bolt-on. Firmas de PE, munidas de excesso de dry powder, provavelmente continuarão focadas em ativos escaláveis em nichos de alta demanda.

A integração de IA e automação à saúde também deve desempenhar um papel central na configuração da atividade de M&A, à medida que empresas orientadas por tecnologia se tornam alvos prioritários de aquisição. Apesar de desafios contínuos, como mudanças regulatórias e aumento de custos operacionais, a adaptabilidade do setor e seu foco em inovação o posicionam para crescimento sustentado.