World Economic Forum - Global Risks Report 2026
O Global Risks Report 2026 marca a entrada na segunda metade de uma década turbulenta, definida pelo que o Fórum Económico Mundial classifica como a "Era da Competição". O relatório destaca uma transição profunda de uma ordem global baseada na cooperação para um cenário de fragmentação, onde a rivalidade geopolítica e as tensões económicas se tornaram os principais motores de risco.
1. O Panorama de Curto Prazo (2026-2028)
A incerteza é o tema dominante. Cerca de 50% dos especialistas inquiridos preveem um cenário "turbulento" ou "tempestuoso" para os próximos dois anos.
- Confronto Geoeconómico: Pela primeira vez em anos, as ferramentas económicas (sanções, tarifas, controlo de recursos estratégicos) são vistas como as armas primordiais, superando outros riscos imediatos.
- Desinformação e Polarização: A desinformação, potenciada pela IA, continua a ser uma ameaça estrutural à estabilidade social, alimentando a polarização interna nas nações.
- Conflitos Armados: O risco de conflitos entre Estados permanece elevado, refletindo o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais de resolução de crises.
2. A Ascensão dos Riscos Económicos
Houve um agravamento acentuado na perceção de riscos financeiros. A combinação de dívida elevada, inflação persistente e a possibilidade de rebentamento de bolhas de ativos coloca os decisores perante um "ajuste de contas económico" (economic reckoning), limitando a capacidade de investimento em resiliência.
3. Riscos Tecnológicos e IA
A tecnologia é vista como uma faca de dois gumes. Enquanto impulsiona a inovação, os resultados adversos das tecnologias de IA e os saltos na computação quântica surgem como preocupações crescentes. A cibersegurança mantém-se como um risco persistente e cada vez mais complexo à medida que as infraestruturas críticas se tornam mais dependentes de sistemas digitais.
4. O Longo Prazo: O Domínio Ambiental (até 2036)
Embora os riscos geopolíticos dominem as atenções imediatas, a visão a 10 anos é quase inteiramente ocupada por preocupações ambientais:
- Eventos climáticos extremos.
- Mudanças críticas nos sistemas da Terra (tipping points).
- Perda de biodiversidade e colapso de ecossistemas.
Conclusão para Decisores
O relatório apela a uma mudança de mentalidade: a resiliência não pode ser apenas defensiva. Num mundo multipolar e sem um multilateralismo eficaz, as organizações e governos devem adotar uma abordagem de "liderança na incerteza", focando na diversificação de dependências, na robustez das infraestruturas e na governança ética das tecnologias emergentes.
Consultar o relatório completo aqui.
Lisboa, fevereiro de 2026.


